Na quinta-feira, 21 de maio de 2026, a CNBC confirmou que a Microsoft está em negociações para fornecer seus chips de inteligência artificial personalizados — a linha Maia — para a Anthropic, uma das principais startups de IA do mundo. O acordo, ainda em estágio inicial e sem contrato assinado, tem o potencial de reconfigurar as alianças no mercado de hardware para inteligência artificial.
O Que Está na Mesa de Negociação
A Microsoft desenvolveu internamente os chips Maia para reduzir sua dependência das GPUs da Nvidia, que hoje dominam o mercado de treinamento e execução de modelos de IA. A segunda geração do chip, o Maia 200, foi anunciada em janeiro de 2026, mas ainda não está disponível para clientes externos através da plataforma Azure.
O Maia 200 é fabricado com a tecnologia de 3 nanômetros da TSMC e entrega aproximadamente 10 petaflops de desempenho FP4 e 5 petaflops de desempenho FP8, operando dentro de um envelope térmico de 750W. O chip possui um sistema de memória redesenhado com 216GB de memória HBM3e a sete terabits por segundo e 272MB de SRAM on-chip.
O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou durante a teleconferência de resultados de abril que o Maia 200 “oferece mais de 30% de melhoria em tokens por dólar, comparado ao silício mais recente da nossa frota”. Os chips já estão operando em data centers nos estados americanos do Arizona e Iowa.
Anthropic: Uma Abordagem Multi-Chip
A Anthropic, criadora do assistente Claude e da ferramenta de programação Claude Code, enfrenta uma escassez crítica de capacidade computacional. O CEO Dario Amodei declarou recentemente que a empresa tem “dificuldades com capacidade computacional”. A gravidade da situação ficou evidente quando a SpaceX revelou, na quarta-feira (20 de maio), que a Anthropic paga US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029 pelo aluguel do data center da xAI.
Para lidar com essa demanda, a Anthropic adotou uma estratégia de diversificação de fornecedores de chips. Em abril de 2026, a empresa fechou um contrato de 10 anos com a AWS para uso dos chips Trainium em um acordo avaliado em mais de US$ 100 bilhões. Em outubro de 2025, também anunciou planos para usar os TPUs do Google. E, em maio de 2026, comprometeu-se a investir US$ 200 bilhões em Google Cloud e TPUs ao longo de vários anos.
A Anthropic também assinou um contrato de US$ 1,8 bilhão com a Akamai para serviços de nuvem. Se a Anthropic adotar os chips Maia, ela se tornará a primeira grande desenvolvedora de modelos de IA a utilizar os chips internos dos três principais provedores de nuvem — Amazon (Trainium), Google (TPU) e Microsoft (Maia) — simultaneamente.
Microsoft Busca se Aproximar de Amazon e Google
No mercado de chips de IA, a Microsoft está atrás de suas rivais. Amazon e Google já oferecem chips especializados para clientes de nuvem — a AWS com a linha Trainium e o Google com as TPUs —, enquanto a Microsoft ainda não disponibilizou o Maia 200 externamente.
Um acordo com a Anthropic representaria, portanto, uma vitória estratégica significativa. A gigante de Redmond anunciou em novembro de 2025 um investimento de US$ 5 bilhões na Anthropic, enquanto a startup se comprometeu a gastar US$ 30 bilhões na plataforma Azure.
O mercado de chips de IA é atualmente dominado pela Nvidia, que detém mais de 80% de participação no segmento de GPUs para data centers. A Microsoft, assim como Amazon e Google, está investindo pesadamente no desenvolvimento de alternativas para reduzir custos e aumentar a eficiência de suas operações de nuvem.
Os Riscos e o Cenário Competitivo
As negociações ainda estão em estágio inicial e podem não resultar em um acordo final. O Maia 200 é otimizado para tarefas de inferência — ou seja, para executar modelos já treinados —, e não para o treinamento de novos modelos, que continua sendo dominado pelas GPUs da Nvidia.
Além disso, a OpenAI — principal parceira de IA da Microsoft — também está explorando a diversificação de seus fornecedores de chips e chegou a considerar o desenvolvimento de chips próprios. Isso coloca a Microsoft em uma posição delicada: ao mesmo tempo em que busca clientes externos para o Maia, precisa gerenciar suas relações com a OpenAI e a Anthropic, que são simultaneamente parceiras e competidoras.
Para a Anthropic, a adoção dos chips Maia seria mais um passo em sua estratégia de independência de hardware. A empresa já demonstrou que não quer ficar refém de um único fornecedor — seja ele Nvidia, Amazon, Google ou Microsoft. Com receita projetada de US$ 110 bilhões no trimestre atual — um crescimento de mais de 100% em relação ao trimestre anterior —, a Anthropic tem poder de fogo para ditar termos aos seus fornecedores.
O Que Esperar nos Próximos Meses
As negociações entre Microsoft e Anthropic devem se intensificar nas próximas semanas. Um acordo final pode ser anunciado ainda no segundo semestre de 2026 e, se concretizado, representará um marco na indústria de semicondutores para IA — a primeira vez que uma grande desenvolvedora de modelos adotará os chips internos dos três maiores provedores de nuvem simultaneamente.
Enquanto isso, a Microsoft continua expandindo a capacidade de fabricação do Maia 200 e deve disponibilizá-lo para clientes externos do Azure nos próximos meses. O sucesso dessa empreitada será um teste crucial para os investimentos de US$ 50 bilhões anuais que a empresa está fazendo em data centers e infraestrutura de IA.
Para os consumidores e empresas que dependem dos serviços de IA, a diversificação de fornecedores de chips é uma boa notícia: significa mais competição, preços potencialmente mais baixos e maior disponibilidade de capacidade computacional.
